QUANDO A PESSOA TEM DIREITO A USUCAPIÃO? (PARTE 2)

Parte 2: Tipos, Documentos Necessários e Etapas do Processo

Usucapião Volta Redonda RJ

Após entender o conceito e as vantagens da usucapião para a regularização de imóveis, é fundamental e essencial conhecer os tipos de usucapião existentes e o caminho necessário para iniciar e finalizar o processo. Neste artigo, daremos continuidade à temática, abordando as modalidades de usucapião mais comuns, os documentos exigidos e as etapas fundamentais para garantir uma regularização bem-sucedida, a fim de proporcionar segurança jurídica e valorização patrimonial

 

Tipos de Usucapião

 

Existem diversas modalidades de usucapião e nesta variedade, uma multiplicidade de requisitos específicos. Abaixo relacionamos os principais tipos de usucapião:

  1. Usucapião Extraordinária: Requer a posse de uma determinada pessoa de forma contínua e pacífica por 15 anos, sem necessidade de justo título ou boa-fé, ou seja, sem as formalidades documentais legais. Caso o posseiro estabeleça o imóvel como sua moradia habitual, ou tenha realizado investimento de caráter produtivo, o período de posse poderá ser reduzido de 15 para 10 anos.
  2. Usucapião Ordinária: Exige posse de uma determinada pessoa por 10 anos no imóvel, com justo título e boa-fé, ou seja, com instrumento formal e idôneo de transferência da propriedade. Este prazo de 10 anos pode ser reduzido para 5 anos na hipótese do imóvel adquirido onerosamente, com base em registro constante, cancelado posteriormente, e o possuidor tiver estabelecido sua residência ou realizado investimentos no local.
  3. Usucapião Especial Urbana: Destinada aos imóveis em áreas urbanas com área máxima de 250 m² e usada para moradia. Esse tipo de usucapião exige posse de 5 anos e o possuidor não pode ser proprietário de outro imóvel.
  4. Usucapião Especial Rural: Aplicada aos imóveis rurais com medida máxima de 50 hectares, cuja exigência de posse é de período mínimo de 5 anos. A posse deve ter caráter de uso produtivo da terra e moradia no local.
  5. Usucapião Familiar: Esta modalidade é aplicada em caso de relação familiar conjugal para imóveis urbanos de até 250 m². É permitida quando o cônjuge abandona o lar e o outro cônjuge possuidor permanece por um período mínimo de 2 anos no imóvel após o abandono do outro. É importante destacar que, para que este tipo seja aplicado, o possuidor não pode ter outro imóvel.

 


 

Documentos Necessários


Para dar início ao processo de usucapião, é necessário reunir uma série de documentos que comprovem a posse e as condições exigidas. A junção deste é fundamental para que o processo ocorra:

  1. Planta do Imóvel: Desenho técnico que represente a área e os limites do imóvel, em conformidade com a descrição em destaque na matrícula do imóvel usucapiendo.
  2. Certidão de inteiro teor: Certidão contendo o histórico do imóvel, bem como o dono da propriedade por lei, pois “só é dono quem registra”.
  3. Certidões Negativas de Débitos: Comprovação de que não há pendências financeiras relacionadas ao imóvel, emitidas a partir de diversos órgãos públicos e privados.
  4. Comprovantes de Posse: Documentos que comprovem a posse de forma contínua, que podem vir a partir de contas de luz, água e IPTU pagos em nome do possuidor.
  5. Depoimentos de Testemunhas: Declarações de vizinhos ou pessoas próximas que possam atestar a posse contínua e pacífica pelo tempo mínimo estabelecido na modalidade de usucapião escolhida.
  6. Justo Título (se aplicável): Documentos que possam indicar um direito inicial sobre o imóvel, como contratos de compra e venda, mesmo que não registrados, documentos particulares.

 

Etapas do Processo


Para que o processo de usucapião venha a ter êxito, é necessário seguir etapas, sem que nenhuma destas sejam abandonadas.

  1. Consulta Jurídica: O primeiro passo, e o mais importante, é procurar uma advogada especializada para avaliar o caso e orientar sobre a viabilidade da usucapião, bem como a melhor modalidade a ser aplicada para o caso específico.
  2. Reunião de Documentos: Com o auxílio da advogada, passa-se para a segunda etapa, a reunião de todos os documentos necessários para comprovar a posse e os requisitos legais, para que o processo logre êxito.
  3. Decidir o Tipo da Ação, Judicial ou Extrajudicial: Dependendo da situação, o processo pode ser judicial ou extrajudicial. Ação Judicial é proposta junto ao Judiciário e tem seu tempo prolongado, podendo levar anos. Já a Ação Extrajudicial é mais célere, pois é resolvida junto ao cartório, em caso de não oposição.
  4. Decisão e Registro: Após a análise do caso e a decisão favorável, o imóvel é registrado em nome do possuidor, conferindo-lhe a propriedade definitiva, passando o possuidor reconhecido de forma legal como dono da propriedade.

 

Conclusão


A usucapião é uma ferramenta poderosa para regularizar imóveis e garantir a segurança jurídica e valorização de seu patrimônio, independente da localidade da propriedade. 

Entender as nuances desse processo é essencial para aqueles que buscam regularizar imóveis. Se você está considerando a usucapião como solução para a regularização de um imóvel, é fundamental, necessário e primordial a procura de um escritório qualificado, com uma consultoria especializada em direito imobiliário e patrimonial, para que haja a garantia de que o processo será conduzido com a máxima eficiência e segurança, devido à complexidade do processo de usucapião.

 

Vanessa Candido
Advogada e DPO
Direito Imobiliário, Patrimonial e Digital

Compartilhe

QUANDO A PESSOA TEM DIREITO A USUCAPIÃO? (PARTE 2)

Share on whatsapp
WhatsApp
Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn

Leia também

Confira outros artigos e notícias que você também poderá gostar

DIREITO PATRIMONIAL IMOBILIÁRIO: O CICLO COMPLETO DE PROTEÇÃO...

Proteja seu patrimônio imobiliário em todas as fases: compra segura, regularização, inventário e planejamento sucessório. Entenda os riscos antes de decidir

5 ÔNUS OCULTOS NA MATRÍCULA DO IMÓVEL QUE PODEM DESTRUIR SEU ...

Descubra os 5 ônus ocultos que podem estar na matrícula do imóvel e colocar seu investimento em risco. A due diligence imobiliária previne prejuízos

DUE DILIGENCE IMOBILIÁRIA: O QUE UM CASO REAL REVELA SOBRE OS...

Um caso real de due diligence mostra riscos invisíveis ao comprar imóvel. Descubra por que contratar um advogado especializado pode salvar seu investimento.

VANESSA CANDIDO ADVOCACIA E CONSULTORIA REALIZA REUNIÃO ESTRA...

Vanessa Candido Advocacia e Consultoria reúne equipe para aprimorar a gestão, inovar no atendimento e fortalecer o compromisso com a excelência.

GUARDA, CONVIVÊNCIA, ALIMENTOS E FILHOS: COMO TOMAR DECISÕES ...

Entenda como funcionam guarda, convivência e alimentos, quais os direitos dos filhos e como prevenir conflitos com orientação jurídica

DUE DILIGENCE IMOBILIÁRIA: O ESCUDO QUE TODO INVESTIDOR DE AI...

Comprar estúdio para Airbnb sem due diligence é arriscado. Descubra os perigos ocultos e por que contratar um advogado especializado é urgente para proteger seu invest...

Dra. Vanessa Candido
Agendar Horário
Atendimento das 09:00 às 17:00hs de segunda a sexta.
Dra. Vanessa Candido
Agendar Horário
Atendimento das 09:00 às 17:00hs de segunda a sexta.

Vanessa Candido Advocacia e Consultoria

Copyright © 2022

Este site utiliza cookies para garantir que você tenha a melhor experiência. Ao clicar em 'ok" e continuar navegando, você concorda com a nossa política de privacidade