O QUE É E COMO FUNCIONA A USUCAPIÃO EXTRAJUDICIAL NO BRASIL: UM GUIA COMPLETO

O usucapião extrajudicial regulariza imóveis pela posse prolongada, sem ação judicial, conforme o Novo CPC, Lei 6.015/73 e normas do CNJ

Usucapião extrajudicial Volta Redonda RJ

Existem diversas modalidades de usucapião e nesta variedade, uma multiplicidade de requisitos específicos. Neste artigo, arbodaremos especificamente Usucapião Extrajudicial.

A usucapião extrajudicial é um instrumento jurídico que permite a regularização de imóveis através da posse prolongada e ininterrupta, sem a necessidade de uma ação judicial. Esse procedimento foi introduzido no Brasil pelo Novo Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015) e é regulamentado, entre outras normas, pela Lei nº 6.015/1973 (Lei de Registros Públicos) e pelo Provimento nº 65/2017 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A seguir, detalharemos os aspectos essenciais do usucapião extrajudicial, incluindo referências legais que embasam cada etapa do processo.

 

O que é usucapião extrajudicial?


O usucapião extrajudicial é um processo que permite a aquisição da propriedade de um imóvel por meio da posse contínua e pacífica, realizada diretamente em cartório, sem a necessidade de uma ação judicial. Esse procedimento foi instituído pelo Novo Código de Processo Civil, através da Lei nº 13.105/2015, que alterou o artigo 1.071, e regulamentado pelo Provimento nº 65/2017 do CNJ. A principal vantagem deste procedimento é a desburocratização, permitindo que o possuidor regularize a propriedade de maneira mais rápida e menos custosa.

“A usucapião extrajudicial representa uma inovação significativa no direito brasileiro, ao permitir a regularização de propriedades de maneira mais célere e desburocratizada, garantindo segurança jurídica tanto para o possuidor quanto para o sistema imobiliário como um todo.”
– Melhim Namem Chalhub, especialista em direito imobiliário

A Lei de Registros Públicos (Lei nº 6.015/1973), que já tratava da usucapião judicial, foi adaptada para incluir o usucapião extrajudicial. Esta modalidade é uma alternativa prática, especialmente em regiões urbanas e rurais onde a posse de imóveis por longos períodos é comum, mas a documentação oficial de propriedade é inexistente ou irregular.

 

Quais são os requisitos para usucapião extrajudicial


Para que a usucapião extrajudicial seja viável, o possuidor deve cumprir certos requisitos legais, conforme estabelecido no Código Civil Brasileiro (Lei nº 10.406/2002) e na legislação específica que regulamenta o procedimento:

    • Tempo de Posse: A posse deve ser contínua e ininterrupta, variando entre 2 a 15 anos, dependendo do tipo de usucapião (familiar, ordinária, extraordinária, especial rural ou especial urbana). O Código Civil, nos artigos 1.238 a 1.244, define os prazos e condições para cada tipo de usucapião.
    • Natureza da Posse: O possuidor deve exercer a posse de forma mansa, pacífica e ininterrupta, agindo como se fosse o proprietário do imóvel. Isso inclui a realização de atos de domínio, como construções, melhorias e manutenção.
    • Boa-fé: Em certos casos, como no usucapião ordinário, o possuidor deve demonstrar que estava de boa-fé ao iniciar a posse do imóvel, acreditando ser o proprietário legítimo.
    • Imóvel Livre de Litígios: A posse não pode estar sendo contestada judicialmente. O Provimento nº 65/2017 do CNJ estipula que a ausência de ações judiciais ou conflitos registrados é um pré-requisito para a usucapião extrajudicial.

Esses requisitos garantem que o processo de usucapião extrajudicial seja aplicado de maneira justa e legal, protegendo os direitos tanto do possuidor quanto de possíveis terceiros interessados.

 

Documentação necessária para o processo de usucapião extrajudicial


A regularização de um imóvel por meio do usucapião extrajudicial requer uma série de documentos específicos, conforme disposto na Lei nº 6.015/1973 e no Provimento nº 65/2017 do CNJ:

    • Planta e Memorial Descritivo: Devem ser elaborados por um engenheiro ou arquiteto, acompanhados da Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) ou Registro de Responsabilidade Técnica (RRT). Esses documentos devem conter a descrição precisa do imóvel, seus limites e confrontantes.
    • Certidões Negativas de Ônus e Ações Judiciais: Certidões que atestam a inexistência de ônus reais (como hipotecas) e de ações judiciais envolvendo o imóvel. Essas certidões são obtidas junto ao cartório de registro de imóveis e a outras instituições relevantes.
    • Comprovantes de Posse: Contas de serviços públicos (água, luz, gás) ou outros documentos que comprovem a posse contínua e pacífica do imóvel por parte do requerente.

Esses documentos são essenciais para que o cartório de registro de imóveis possa avaliar a legitimidade do pedido e proceder com o registro da propriedade em nome do possuidor.

 

Como fazer um processo de usucapião extrajudicial?

 

Infográfico Usucapião Extraordinária


O procedimento de usucapião extrajudicial segue uma série de etapas definidas pelo Provimento nº 65/2017 do CNJ e pela Lei nº 6.015/1973:

    • Consulta Prévia ao Cartório: O interessado deve iniciar o processo consultando o cartório de registro de imóveis competente, onde será verificada a situação registral do imóvel.
    • Elaboração de Petição: Um advogado deve preparar uma petição inicial, incluindo todos os documentos necessários e o pedido de usucapião extrajudicial.
    • Análise de Documentos e Notificação dos Confrontantes: O cartório analisará os documentos apresentados e notificará os confrontantes (vizinhos) e outros possíveis interessados, como titulares de direitos reais registrados no imóvel. Caso não haja oposição, o processo segue para registro.
    • Registro da Posse: Se todos os requisitos forem cumpridos e não houver objeções, o cartório procederá com o registro da posse em nome do requerente, transformando-o oficialmente em proprietário do imóvel.

Essas etapas garantem que o processo de usucapião extrajudicial seja realizado de forma transparente, com o devido respeito aos direitos de todos os envolvidos.

 

Vantagens e desvantagens do usucapião extrajudicial


O usucapião extrajudicial apresenta várias vantagens em relação ao procedimento judicial, mas também possui algumas limitações:

Vantagens:

 

    •  Rapidez: O procedimento extrajudicial é significativamente mais rápido, podendo ser concluído em alguns meses, dependendo da complexidade do caso.
    • Custo Reduzido: Ao evitar o processo judicial, o usucapião extrajudicial reduz as custas processuais e os honorários advocatícios, tornando-se uma opção mais acessível.
    • Menor Burocracia: O processo é menos burocrático, com menos formalidades e etapas, o que facilita a regularização de imóveis em posse pacífica.

Desvantagens:

 

    • Limitação a Casos Sem Disputas: O usucapião extrajudicial só pode ser utilizado em situações onde não há litígios ou disputas judiciais envolvendo o imóvel.
    • Dependência da Concordância dos Confrontantes: A falta de oposição dos confrontantes é crucial para o sucesso do processo. Qualquer objeção pode inviabilizar o procedimento extrajudicial.
    • Requisitos Documentais Rigorosos: A necessidade de documentação precisa e técnica pode ser um desafio, especialmente para possuidores de baixa renda ou que possuem dificuldades de acesso a esses recursos.

Essas vantagens e desvantagens permitem que os interessados avaliem se o usucapião extrajudicial é a melhor solução para regularizar a posse de seus imóveis.

 

Diferenças entre usucapião extrajudicial e usucapião judicial


A usucapião extrajudicial e a judicial diferem em vários aspectos, principalmente no que se refere ao local de tramitação e à natureza do procedimento:

    • Local do Processo: A usucapião extrajudicial ocorre em um cartório, enquanto a judicial tramita na justiça, perante um juiz.
    • Tempo e Custo: O processo extrajudicial é geralmente mais rápido e menos custoso, enquanto o judicial tende a ser mais demorado e oneroso.
    • Resolução de Litígios: A usucapião judicial permite resolver disputas sobre a posse do imóvel, enquanto a extrajudicial é limitada aos casos onde não há oposição.
    • Formalidade: A usucapião judicial é mais formal, exigindo a participação ativa do judiciário, além de peritos e testemunhas, quando necessário.

Essas diferenças são fundamentais para determinar qual modalidade de usucapião é mais adequada para cada situação específica.

 

Casos de usucapião extrajudicial de destaque no Brasil


Diversos casos de usucapião extrajudicial têm ganhado destaque no Brasil, especialmente em áreas urbanas e rurais onde a posse prolongada é comum:

    • Regiões Urbanas Densamente Povoadas: Em grandes centros urbanos, a usucapião extrajudicial tem sido utilizada para regularizar imóveis ocupados por famílias há muitos anos, mas que nunca tiveram a documentação formalizada.
    • Áreas Rurais: Pequenos agricultores que possuem terras há gerações, mas que nunca tiveram títulos de propriedade, têm se beneficiado desse procedimento para garantir a regularização de suas posses.
    • Programas de Regularização Fundiária: Municípios em diversas regiões do Brasil têm implementado programas de regularização fundiária que utilizam a usucapião extrajudicial como ferramenta de justiça social e regularização fundiária no Brasil.

 

Etapas de um processo de usucapião extrajudicial

 

Modelo de etapas de um processo de usucapião extrajudicial
Modelo de Etapas de um Processo de Usucapião Extrajudicial

O infográfico acima é um modelo de acompanhamento em Legal Design que nosso escritório envia para nossos clientes, informando em que etapa seu respectivo processo se encontra. Ele serve para demostrar didaticamente quais são as etapas de um processo de Usucapião Extrajudical.

 

Qual o custo e os prazos da usucapião extrajudicial

 

    • Prazos: A usucapião extrajudicial geralmente leva de seis meses a um ano para ser concluída, dependendo da complexidade do caso e da rapidez na obtenção dos documentos necessários.
    • Custos: Incluem taxas de cartório, honorários advocatícios, e custos de elaboração de documentos técnicos, como plantas e memoriais descritivos. Esses custos são, em geral, menores que os de um processo judicial.

A agilidade e os custos reduzidos fazem da usucapião extrajudicial uma opção atraente para muitos possuidores de imóveis.

 

Profissionais envolvidos no processo de usucapião extrajudicial


Diversos profissionais são essenciais para garantir o sucesso do processo de usucapião extrajudicial:

    • Engenheiros e Arquitetos: Responsáveis por elaborar plantas e memoriais descritivos, fundamentais para a documentação do imóvel.
    • Notários e Oficiais de Cartório: Analisam a documentação, notificam os confrontantes e registram a posse.

A colaboração entre esses profissionais é crucial para garantir que a usucapião extrajudicial seja conduzida de maneira eficaz e conforme a lei.

 

Quais os casos que não podem ser usada a usucapião extrajudicial?


No Brasil, a usucapião extrajudicial não pode ser utilizada nos seguintes casos:

    • Existência de litígio: Se houver uma disputa judicial sobre a posse ou propriedade do imóvel.
    • Oposição dos confrontantes ou interessados: Caso os vizinhos ou titulares de direitos reais sobre o imóvel contestem o pedido.
    • Imóveis públicos: Bens públicos não podem ser adquiridos por usucapião, seja judicial ou extrajudicial.
    • Imóvel com gravames: Se o imóvel tiver pendências como hipotecas ou penhoras, o usucapião extrajudicial não pode ser processado.
    • Posse não contínua ou sem ânimo de dono: A posse precisa ser ininterrupta, pacífica e com intenção de ser dono, ou seja, o possuidor deve agir como proprietário do imóvel.
    • Falta de posse qualificada: Quando a posse não atende os requisitos temporais específicos para cada tipo de usucapião.

Esses fatores inviabilizam a via extrajudicial, podendo requerer a via judicial para resolução.


Conclusão: Considerações finais sobre a usucapião extrajudicial no Brasil


A usucapião extrajudicial é uma ferramenta poderosa para a regularização de imóveis no Brasil, oferecendo uma alternativa rápida, menos onerosa e eficaz ao usucapião judicial. Sua implementação facilita a formalização da posse para milhares de brasileiros, promovendo segurança jurídica e acesso

 

Dra. Vanessa Candido
Advogada e DPO
Direito Imobiliário, Patrimonial e Digital

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